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Entrevista com diretor Wilson Caetano

23 set

Mariana Nepomuceno – Diário de Mogi

No limite entre o moderno e a tradição, o profano e o sagrado, as trevas e a luz está Harry Haller. Depois de muito tempo seguindo com passos firmes os bons costumes da burguesia, do início do século XX, ele se deixa levar. É durante uma noite de bebedeira na companhia de Hemínia que nasce mais que uma paixão, um conflito. Por qual caminho continuar? Melhor a vida erudita sem sobressaltos ou a boemia libertadora? Até o fim desta história, o homem ainda atravessa momentos conturbados. Não existem apenas dois pólos, mas sim várias personalidades habitando um único corpo, uma única alma.

A história é mesmo complexa. Obra do escritor Herman Hess que volta a ser adaptada pelo Núcleo de Artes Cênicas do Serviço Social da Indústria de Mogi das Cruzes (Sesi). O espetáculo “Lobo da Estepe”, entra em cartaz amanhã (22/09) (pré-estreia) e segue até dezembro, todas as quintas-feiras, sábados e domingos, sempre às 20 horas, no auditório da entidade, em Braz Cubas.

A primeira vez que a adaptação escrita por Alípio Correia de Franca Neto chegou às mãos do diretor Wilson Caetano, era 1984. Já naquele ano, a vontade foi de levar o texto aos palcos. Em 1995 a história ainda ganhou mais uma versão. Nas duas ocasiões, no entanto, os tempos eram outros. “Não tinha a vivencia que tenho agora. Durante todo este tempo li muita coisa. Para conceber o espetáculo o grupo todo aprofundou os conhecimentos na obra de Sigmund Freud, por exemplo”, conta o diretor.

Além de mergulhar no universo da psicanálise para entender e construir a personalidade dos personagens, o grupo formado por jovens e adultos, desenvolveu trabalhos corporais, sob a supervisão de Fernanda Moretti. “Esse é um cuidado que sempre tenho. A expressão corporal é super importante e a Fernanda é uma parceira neste sentido. Temos uma linha de pensamento semelhante”, aponta o diretor.

Essa preocupação com a formação do ator fica evidente em cena, não apenas pela interpretação, propriamente dita, como também na concepção do cenário e figurino. Ainda que ajudem a compor o clima, o foco está sempre no personagem, na expressão facial, corporal. “Mas temos uma iluminação muito bacana. As roupas são do grupo e o cenário, apesar de simples é bem feito”, ressalta Wilson.

Causar a reflexão dentro e fora do palco tem sido a marca do trabalho feito pelo diretor, desde que assumiu o grupo do Sesi, há 16 anos. Não é à toa que, geralmente, escolhe clássicos do teatro. No ano passado, por exemplo, montou Hamlet de Willian Shakespeare. “As escolhas também tem a ver com o meu momento. Tenho estado mais reflexivo. Por isso o ‘Lobo da Estepe'”.

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Publicado por em 23/09/2010 em Uncategorized

 

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