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Talentos do Centro-Oeste em exposição na Galeria de Arte Frei Confaloni

31 jul

31-07-2012 – Fátima de Carvalho

 

 

Talentos do Centro-Oeste em exposição na Galeria de Arte Frei Confaloni 

 

Divulgar os novos talentos emergentes do Centro-Oeste e promover aproximação com vistas ao fortalecimento das relações e a valorização da produção de artes plásticas desta região. Com este intento foi concebida a mostra Dialetos, que reúne trabalhos de artistas de Goiás, Mato Grosso do Sul e Brasília. A abertura da exposição aconteceu dia 20 de março, às 19h30, no MARCO – Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul.

Com apoio da Secretaria de Cultura de Anápolis e da Fundação de Cultura de Mato Grosso Sul e da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás, a mostra é uma iniciativa do jovem curador Paulo Henrique Silva, que articulou e organizou toda sua realização. “Minha intenção é romper o círculo vicioso de concepções muitas vezes excludentes e lançar novos olhares tanto no âmbito da produção quanto no de curadoria”, afirma.

A mostra reúne 20 artistas. De Goiás, os expoentes são Dalton Paula, Helô Sanvoy, Diogo Miranda, Tiago Duarte, Adelaide Fontoura, Valdson Ramos, Joardo Filho e Rondinelli Linhares. Representam Brasília, na mostra, Virgílio Neto, selecionado no projeto Rumos Itaú Cultural Edição2011 /2013, e também premiado, no ano passado, no Salão Anapolino de Arte; Fernando Aquino, Camila Soato, Loise Rodrigues e Marília Saenger . O Estado de Mato Grosso do Sul é representado por Ana Ruas, Daniel Reino, Nilvana Mujico, Thais Galbiati, Thiago Barros, Evandro Prado e Priscilla Pessoa.
Saiba mais sobre os artistas e seus trabalhos (texto curatorial do catálogo da mostra)

Dialetos

Produzimos arte porque acreditamos que a vida há de ser mais do que a miséria do real e que o ser humano ao refazer o mundo transcende e supera o seu limite, amplia e ilumina a vastidão.

Marcos de Lontra Costa

A necessidade de romper o círculo vicioso de concepções muitas vezes excludentes e lançar novos olhares tanto no âmbito da produção quanto no curatorial me instigou a realizar a mostra Dialetos. A exposição visa trazer à tona a produção variada de talentos emergentes ao longo da primeira década do século e que tiveram seus trabalhos apresentados recentemente em salões regionais e em projetos acadêmicos e, ainda, os mapeados e selecionados em edições recentes do projeto “Rumos” do Instituto Cultural Itaú.
É objetivo, também, disseminar uma arte contemporânea jovem, do Centro-Oeste e do Brasil, de artistas que ainda não têm representatividade comercial consolidada no mercado das artes. A mostra coloca em primeiro plano as ações artísticas de autores preocupados em investir no presente, no prazer de experimentar e vivenciar a utilização de novos elementos estéticos nas suas produções.
A mostra apresenta um grupo de 20 artistas. Seis deles operam conceitos e códigos utilizando-se da plasticidade das matérias pictóricas. Apesar de a pintura ser uma técnica tradicional, é perceptível sua reinvenção no contexto contemporâneo. A pintura de Ana Ruas, assim como sua marca maior, as intervenções urbanas, demonstra singular investigação e interferências sobre tecidos florais, com sutis camadas de tinta branca, proporcionando ao fruidor uma nova organização conceitual das imagens; nos grandes formatos de Diogo Miranda, o uso de cromatismo amplo, ora terroso, produz manchas e linhas difusas pelas superfícies, muitas vezes se contrapondo e exercendo relações de tensão.
A linguagem expressionista e a figuração humana aparecem nos trabalhos de Camila Soato e Priscilla Pessoa. A primeira, por meio de pequenas pinturas, com gestos densos e carregados, propõe uma discussão sobre situações aparentemente banais, porém que permeiam a relação do homem com elementos pertencentes ao seu universo; já Pessoa valoriza de forma meticulosa o fazer pictórico. Suas pinturas abordam temas da vida cotidiana com delicadas inserções da iconografia cristã; e Loise Rodrigues, por meio de uma variação cromática, disposta em linhas geométricas que nos sugere um formato quase minimalista, imprime a delicadeza do universo feminino em suas pinturas.
Evandro Prado, artista que explora as mais variadas linguagens, traz a esta mostra pinturas em tecidos realizadas com a oxidação de pregos. Característica forte na trajetória do artista, o uso de tecidos soltos como suporte para sua produção são apresentados um ao lado do outro e interligados por formas que remetem a vestígios da arquitetura religiosa; Thiago Barros apresenta em sua trajetória profissional uma forte influência da pop arte. Na série “Causa e efeito” utiliza a imagem de Cristo. A técnica usada foi a serigrafia, outra característica das produções de massa.
Em meio a relações da memória, sujeito, questões urbanas e filosóficas, quatro artistas se valem da fotografia para dialogarem com o mundo. Adelaide Fontoura ao aplicar renda, tecidos de tricô e parafina sobre retratos de família ampliados, recobre as imagens fazendo-as aparecer de forma desigual, em algumas partes, até mesmo desaparecendo elementos iconográficos da fotografia, transformando os retratos de suas lembranças em anônimos; Dalton Paula utiliza a mídia fotográfica como meio de registro da performance “O batedor de bolsa”. O trabalho se caracteriza pela hibridização das linguagens e pela forte relação com as inquietações da vida urbana. O artista, ao golpear a bolsa, objeto usado para guardar pertences de intimidade, atinge um universo pessoal de medos e inseguranças; Daniel Reino participa com a obra “O Crime” da série Noir. O trabalho, resultado de pesquisa acadêmica com temática fundamentada no gênero cinematográfico de meados do século vinte, ilumina uma vasta escuridão com pequenos pontos de luz, gerando grande dramaticidade e tensão psicológica; Joardo Filho, talvez o mais jovem artista dessa exposição, atualmente realiza experimentações sobre o realismo das imagens capturadas por sua máquina fotográfica. Por meio de manobras e intervenções tecnológicas revisita os cenários, e ali, os reconstrói sob a perspectiva de análise de uma lacuna temporal.
O terceiro setor traz o agrupamento de artistas que lidam com desenho em seus múltiplos desdobramentos. Assim como na pintura é notória a intensa renovação da utilização do desenho como linguagem importante nas artes visuais. Os artistas aqui apresentados articulam formas de hibridações, proporcionando ao fruidor um quadro analítico dos dialetos imagéticos existentes entre eles. Os desenhos de Virgílio Neto, feitos quase sempre com lápis de cor, aquarela e pastel sobre papel são carregados de relações afetivas e intimistas, em que o autor se utiliza do exercício do fazer e, às vezes, do desfazer, desenvolve novos significados e narrativas para as imagens produzidas; como um jogo de ver e ler, gerando entre espectador e obra uma relação dialógica, Fernando Aquino cria uma atmosfera híbrida em suas tabuletas. No conjunto de obras apresentadas nesta Edição, percebe-se que as cores ganham um espaço significativo, além de proporcionar às formas um conviver cada vez mais poético com textos escritos; em meio a angústias pessoais, os desenhos de Rondinelli Linhares, criam um diálogo passional com o observador, pois tratam da solidão, da desilusão e do amor, questões inerentes ao mundo humano; os desenhos fortes e expressivos da série “Telefone sem fio” de Thais Galbiati, feitos sobre frágeis papéis – geralmente de blocos de anotações – mostram as expressões de personagens ao receber notícias (talvez), as quais, provavelmente, nunca iremos saber o porquê. Portanto, nos resta a leitura interpretativa das imagens; Tiago Duarte, artista plástico e graduando de arquitetura, nos apresenta a série “Os fantasmas que habitam as casas modernistas”. Os trabalhos feitos a nanquim e aquarela digitalizados, mostram imagens de personagens imaginários que ocupam de forma inusitada o cenário arquitetônico; Helô Sanvoy nos propõe a participar de um jogo, pois por meio de desenhos a nanquim feitos sobre camadas de papel vegetal, o artista cria uma situação em que o espectador praticamente é impedido de visualizar com nitidez as imagens ali formadas.
Por final, apresento o agrupamento que lida com intervenções na paisagem arquitetônica e a inserção de objetos em instalações, questões que chamam a atenção de muitos artistas contemporâneos. Utilizando pequenas telas de jornal e tecido, Marília Saenger busca ressignificar formas que são de certa maneira acopladas ao espaço arquitetônico, o que dá aos objetos e ao espaço, uma nova dimensão, além de instigar ao espectador a realizar um mergulho em novas concepções espaciais; Nilvana Mujica realiza intervenções urbanas que dialogam com a arquitetura e as perspectivas visuais da cidade contemporânea, e utiliza no trabalho exposto fibra de vidro, adesivo vinil e madeira, que resulta em uma obra com propriedades escultóricas; a instalação feita de mãos de resina de poliéster e fitas religiosas de Valdson Ramos revela um fazer artesanal, pois as doze mãos que compõem o trabalho são de pessoas diferentes e, portanto, é usado um molde para cada um, garantindo assim, as características pessoais. O trabalho discute as relações individuais e coletivas, regionais e universais da fé.

Paulo Henrique Silva
Artista plástico e curador independente
Curador da Mostra

 

VOCÊ É NOSSO CONVIDADO PARA ABERTURA DA MOSTRA DIALETO 2 de agosto– 19h30

Exposição de 2 de agosto a 6 de setembro de 2012

Horário de funcionamento do MARCO: segunda a sexta, das 12h às 18

Contatos:
Paulo Henrique Silva- Curador da Mostra : 62-9288-8924/ e-mail: phs.cultura@gmail.com

Galeria de Arte Frei Confaloni
Rua 4 nº 515, sobreloja- Edifícil Pathernon Center- Centro – Goiânia
Fone: 55 062 32014687

 

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Twitter: Teatro Caetanno’s
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Publicado por em 31/07/2012 em Uncategorized

 

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