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CAETANO VELOSO CHEGA AOS 70: TALENTO E POLÊMICAS

07 ago

07-08-2012 – Fátima de Carvalho

 

                             Caetano em arte de grafite em Santo Amaro da Purificação

 

Um dos três mais importantes nomes da MPB chega aos 70 anos nesta terça-feira: Caetano Veloso, o filho de Dona Canô, nascido em Santo Amaro da Purificação/BA em 07/08/1942. Em 1960, mudou-se com a família para Salvador, onde concluiu o colegial (atual ensino médio). Entre os anos de 1960 e 1962, escreveu críticas de cinema para o “Diário de Notícias”. Neste mesmo período, aprendeu a tocar violão e cantou com a irmã Maria Bethânia em bares de Salvador. Ingressou na Faculdade de Filosofia, da Universidade Federal da Bahia, em 1963. Ainda neste ano, conheceu e tornou-se amigo do ídolo que já admirava pela TV, Gilberto Gil, apresentado pelo produtor Roberto Santana. Conheceu também Gal Costa, ainda chamada de Maria da Graça, e Tom Zé.

Santo Amaro, que fica a pouco mais de 60 Km de Salvador, parou no tempo. Tinha pouco de 50 mil pessoas quando Caetano nasceu e hoje não conta com mais de 60 mil habitantes. Talvez por isso mesmo a cidade conserve tão bem a memória do seu filho mais ilustre: redações de Caetano quando jovem estão nas bibliotecas à disposição de todos. A Câmara de Vereadores instituiu uma comenda com seu nome, a belíssima medalha Caetano Veloso. O nome Caetano está em todas as bocas e becos. Quando se fala em valorizar artistas que nasceram em seu solo, a Bahia está em primeiro lugar, isso é inquestionável!

Para o Brasil, Caetano Veloso apareceu quando se dirigiu ao Rio de Janeiro para acompanhar a irmã Maria Bethânia que substituiu a cantora Nara Leão no show Opinião, quando ela se consagrou cantando “Carcará”. Isso foi em 1964. Ele tinha 22 anos. Mas ela não deixou o irmão de fora e pela primeira vez, na voz de Bethânia, o país ouviu versos musicados de um compositor de muito talento:

“… mas a flor amada é mais que a madrugada/ e foi por ela que o galo cocorocou…”

Seu primeiro trabalho musical foi a composição da trilha sonora da peça de Nelson Rodrigues “O boca de ouro”, da qual participou também como ator. O diretor baiano Álvaro Guimarães, que o dirigiu nesta montagem, o convidou para compor a trilha de outra peça, “A exceção e a regra”, de Bertolt Brecht. Depois disso, em 1965, numa festa no apartamento de Olívia Leuenroth, no Morro da Viúva, o ainda irmão menos famoso de Bethânia apareceu, tocou, cantou e encantou os convidados, muitos deles do meio artístico, quando ouviram sua voz nesses versos que compôs:

“De madrugada/ Quando o sol cai dendágua/ Vou mandar te buscar/ Ai quem me dera/ Voltar quem me dera um dia/ Meu Deus não tenho alegria/ Bahia no coração”.

A partir daí Caetano começou a ser paparicado pelos artistas que viam nele um grande talento. Ele só estava cansado daquela vida no Rio de Janeiro como acompanhante da irmã. Voltou pra Bahia, abandonou a faculdade e conheceu João Gilberto. Regressou ao Rio no mesmo ano de 1965 e teve seu primeiro registro como compositor com a gravação de sua canção “É de manhã”, lançada em compacto simples por Maria Bethânia, pela RCA Victor. O compacto, que continha também “Carcará”, projetou nacionalmente a cantora. Em maio desse mesmo ano, Caetano gravou seu primeiro compacto simples, com suas composições “Cavaleiro” e “Samba em Paz”, também pela RCA Victor. Participou ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Tom Zé e Pitti, do espetáculo “Arena canta Bahia”, dirigido por Augusto Boal e apresentado no TBC, antigo palco do Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.

Em 1966, Caetano concedeu uma entrevista à “Revista Civilização Brasileira” e enfatizou a necessidade da “retomada da linha evolutiva da música popular brasileira” a partir das lições mais fundamentais da Bossa Nova. Em junho desse mesmo ano, participou do II Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior), com sua canção “Boa palavra”, defendida por Maria Odette, classificada em quinto lugar. Em outubro desse mesmo ano, recebeu o prêmio de Melhor Letra no II Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), com a canção “Um dia”.

Em 1967, já mereceu metade de um LP de doze faixas, dividindo o disco “Domingo” com Gal Costa. A gravadora Phillips achava que eles ainda não tinham nome para um disco inteiro. É nesse disco que constam as músicas “Avarandado” e “Remelexo”, composições dele. Ainda em 1967, apresentou-se no III Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), com a marcha “Alegria, alegria”, que interpretou acompanhado pelas guitarras elétricas do conjunto argentino Beat Boys. A música foi classificada em quarto lugar. Nesse mesmo festival, “Domingo no parque” reuniu Gilberto Gil, Rogério Duprat e Os Mutantes. Segundo Caetano, isso era “a base do som tropicalista”. Sua admiração por João Gilberto e pela Bossa Nova era tanta, que a necessidade de criar algo novo era latente: “A gente não queria ficar fazendo sub-Bossa Nova depois do João e do Tom”.

Sob a influência da Jovem Guarda e dos Beatles, nasceu o Tropicalismo, movimento de vanguarda que abalou as estruturas musicais e culturais de então. As canções “Domingo no parque” e “Alegria, alegria” retomaram a “linha evolutiva” da música brasileira a qual o compositor se referia no depoimento publicado na revista acima citada.

Em 1968, gravou seu primeiro LP individual, “Caetano Veloso”, com arranjos de Rogério Duprat e acompanhamento dos conjuntos RC-7 e Os Mutantes. Participou dos programas de televisão “A buzina do Chacrinha” e “Jovem Guarda”. Nesse mesmo ano, lançou um compacto simples com a leitura tropicalista de “Yes, nós temos bananas” (João de Barro e Alberto Ribeiro).

Em 1968, também, lançou o LP-manifesto “Tropicália” ou Panis et circensis”, ao lado de Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e os poetas-letristas tropicalistas Torquato Neto e Capinam, além dos maestros e arranjadores Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzella, firmando as bases do Tropicalismo.

Em setembro desse mesmo ano, foi realizado no Teatro da Universidade Católica (SP), o histórico III Festival Internacional da Canção (FIC/TV Globo), no qual o compositor, vaiado ao apresentar “É proibido proibir”, vociferou um discurso contra a platéia e o júri: “Vocês não estão entendendo nada (…) O júri é muito simpático mas incompetente”. A canção foi desclassificada e saiu em compacto simples.
Ainda em 1968, Gal Costa interpretou, no IV Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), sua canção “Divino maravilhoso”, que ficou em terceiro lugar. Nesse mesmo evento, Caetano defendeu como intérprete “Queremos Guerra”, de Jorge Benjor (na época Jorge Ben). Também nesse ano, estreou na TV Tupi de São Paulo o programa “Divino Maravilhoso”, com todo o grupo tropicalista.

Também em 1968, Caetano foi impedido de participar da I Bienal do Samba, na TV Record, São Paulo, por utilizar acompanhamento de guitarra elétrica no ritmo. Disseram os censores que ele queria esculhambar com as raízes do samba. Seu samba “A voz do Morto” foi lançado em compacto duplo. A música foi censurada e o disco recolhido das lojas. A música foi feita a pedido de Aracy de Almeida que a gravou e depois foi magistralmente regravada por Geraldo Azevedo em 1985.

Em dezembro de 1968, mais um compacto simples foi lançado com o seu frevo “Atrás do trio elétrico” e a canção “Torno a repetir”, de domínio público. No dia 27 de dezembro, foi preso juntamente com Gilberto Gil sob o pretexto de desrespeito ao hino e à bandeira do Brasil. Foram levados para o quartel do Exército de Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, permanecendo detidos por dois meses. Para os milicos de então, Caetano e Gil eram “falsos à bandeira”, o que no linguajar machista da caserna significava que os dois eram “bichas”.

Em fevereiro de 1969, após Nelson Motta abrir o bico no carnaval de Salvador para dizer que enquanto a Bahia pulava ao som de “Atrás do Trio Elétrico”, seu autor e Gil estavam presos no Rio de Janeiro, os dois foram soltos na quarta-feira de cinzas, porém em regime de confinamento, seguindo para Salvador. Nos meses de abril e maio desse ano, Caetano gravou as bases de voz, com o acompanhamento de Gil ao violão, para seu novo disco “Caetano Veloso”. Essas bases foram posteriormente arranjadas por Rogério Duprat, que também dirigiu as gravações em São Paulo. Nos dias 20 e 21 de julho, apresentou com Gilberto Gil o show de despedida, antes de embarcarem junto com suas mulheres, as irmãs Dedé e Sandra Gadelha, para o exílio na Inglaterra. As vacas fardadas não permitiam a presença deles no país por serem prejudiciais à moral da juventude. A realização do show só foi liberada devido à necessidade de arrecadação de fundos para as passagens aéreas e estadia nos primeiros meses de exílio. Foi ali que Caetano cantou a música “Irene”. Fixaram-se em Londres, no bairro Chelsea. O espetáculo de Salvador veio a transformar-se, três meses mais tarde, no disco “Barra 69”. Em agosto, foi lançado o disco “Caetano Veloso”, o primeiro álbum que não trazia sua foto na capa. Em novembro, foi lançado o compacto simples com “Charles, anjo 45”, de Jorge Benjor, e a canção intitulada “Não identificado”, de Caetano. Mesmo no exílio, sua produção não parou.

Em 1970, enviou artigos para o jornal carioca “O Pasquim”, além de canções para Gal Costa (“London, London” e “Deixa sangrar”), Maria Bethânia (“A tua presença morena”), Elis Regina (“Não tenha medo”), Erasmo Carlos (“De noite na cama”) e Roberto Carlos (“Como dois e dois”). Apresentou-se em palcos da Inglaterra e de outros países da Europa. Ainda em 1970, lançou o LP “Caetano Veloso” pelo selo Famous (Paramount Records), seu primeiro disco no exílio.

Em janeiro de 1971, retornou ao Brasil para assistir à missa comemorativa dos 40 anos de casamento de seus pais, obtendo permissão para ficar um mês fora do exílio. No Rio, foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica, na época em construção, ao que se negou. Nesse período, apresentou-se no programa “Som Livre Exportação” (Rede Globo). Em junho, o disco gravado na Inglaterra foi lançado no Brasil, para onde retornou novamente em visita à família. Nessa ocasião, apresentou-se na TV Globo e na TV Tupi, em um programa ao lado de Gal Costa e João Gilberto. Gravou o frevo “Chuva, suor e cerveja” para o Carnaval do ano seguinte. De volta a Londres, gravou mais um LP pelo selo inglês, o “Transa”. Em dezembro, foi lançado no Brasil o compacto duplo “O Carnaval de Caetano”.

Em janeiro de 1972, voltou definitivamente ao Brasil e lança o LP “Transa”. No dia seguinte ao retorno do exílio, apresentou o show de mesmo nome, ao lado de Gil, no Teatro João Caetano (RJ). Nesse show, Caetano e Gil provocaram os militares cantando: “xô, xuá/ Cada macaco no seu galho/ Xô, xuá/ Não me canso de falar/ Xô, xuá/ O meu galho é na Bahia/ Xô, xuá/ O seu é em outro lugar”. A música era do conterrâneo Riachão. Estreou também no TUCA (SP) e percorreu outras grandes cidades do país. Com visual hippie, chocou parte do público que se acostumava à moral dos milicos, ao se apresentar imitando trejeitos de Carmen Miranda. Em novembro, dirigiu a produção do LP “Drama – anjo exterminado”, de Maria Bethânia. Compôs a trilha de “São Bernardo”, de Leon Hirszman, premiada no ano seguinte como Melhor Música do Festival de Cinema de Santos. Nos dias 10 e 11 de novembro, apresentou-se, ao lado de Chico Buarque, no Teatro Castro Alves, em Salvador. O show teve participação do grupo vocal MPB-4 e gerou o LP “Chico e Caetano juntos e ao vivo”.

Como esta crônica não tem a pretensão de se tornar um livro sobre a vida de Caetano Veloso, passo daqui pra frente a citar as músicas e discos mais importantes de sua carreira e as grandes polêmicas em que se envolveu. Não se pode escrever sobre a arte de Caê em dez linhas.

Segundo os críticos dos críticos, os dez discos mais importantes da sua vasta e rica obra, são:

01. Caetano Veloso – 1969
02. Transa – 1972
03. Joia – 1975
04. Bicho – 1977
05. Muito – 1978.
06. Cinema transcendental – 1979.
07. Uns – 1983
08. Estrangeiro – 1989.
09. Circuladô – 1991.
10. Livro – 1997.

Isso não significa que você encontre necessariamente suas músicas preferidas nesses discos acima citados. Em todos os seus discos há criações geniais. Desde Aracy de Almeida até Maria Gadú, as cantoras do sexo feminino, em geral, são doidas por ele. Fiquei emocionado dias atrás com um vídeo da minha querida Ângela Maria, já com os sinais de tempo impregnados na sua face e voz, cantando (abaixo do seu tom) uma canção desse cara. Não só ela, as músicas dele foram gravadas por gatas extraordinárias.

A grande Gal Costa, hoje também já cantando abaixo do seu tom, foi responsável por grandes momentos do disco brasileiro com canções de Caetano. Não tenho como negar que isso me dá um certosaudosismo. Sim, porque Caetano vai da Lua de São Jorge ao Eclipse Oculto. Tem as suas tempestades solares, mas isso é o de menos!

Grandes momentos de Caetano na TV existem aos montes, porém eu selecionei apenas um, uma apresentação dele no Fantástico de 1982, aos 40 anos, cantando uma de suas mais belas composições, na minha modesta opinião: “Queixa”. Tinha 40 anos e ainda parecia um “menino do Rio”!

As polêmicas em que Caetano Veloso se envolveu revelam muito do lado hilário da sua personalidade. A mais famosa delas foi com o jornalista culto e chato chamado Paulo Francis, já falecido. A desavença aconteceu em junho de 1983 e teve como pivô o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger. Convidado pela Rede Manchete, Caetano Veloso entrevistou o astro do rock. Só que o resultado desagradou ao crítico Paulo Francis, que escreveu o artigo “Caetano, pajé doce e maltrapilho”, no qual classificava a atitude do baiano durante a entrevista como submissa e amadora. Caetano rebateu: “Agora o Francis me desrespeitou. Foi desonesto, mau-caráter. É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas”. Falou isso em uma coletiva de imprensa. Isso causou um rebu tão danado que a “Ulustrada” da Folha de São Paulo saiu em busca de opiniões para saber de intelectuais e artistas de que lado eles se colocavam. Os entrevistados tinham que responder à seguinte pergunta: “Quem faz mais a sua cabeça, Paulo Francis ou Caetano Veloso?” Algumas respostas proporcionam ainda hoje boas gargalhadas:

AUGUSTO DE CAMPOS, poeta e tradutor: “Não tem dúvida: sou 100% Caetano”.

JÚLIO MEDAGLIA, maestro e um dos inventores do tropicalismo: “Neste momento, Paulo Francis é mais criativo. Ultimamente, Caetano só tem feito boleros”.

CARLOS BRICKMAN, jornalista, editor de economia da Folha: “Entre os dois, graças a Deus fico com Millôr Fernandes”.

HENFIL, cartunista: “Paulo Francis. Pela sabedoria, pelo compromisso com as outras pessoas e pelo seu orgulho de ter sido preso por suas idéias, enquanto Caetano se envergonha disso. Caetano diz que não lê jornais, mas é capaz de citar o dia e a página de qualquer jornal que tenha falado mal dele, mesmo que seja a ‘Gazeta de Nanuque’. E eu gosto mais da música do Francis”.

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI, filósofo e professor: “Os dois não fazem nem o meu pé, quanto mais a minha cabeça”.

CASAGRANDE, centroavante do Corinthians: “Caetano Veloso. É um poeta. Gosto também do comportamento dele, que é agressivo com a sociedade. Aliás, como o meu”.

GERALDO MAYRINK, jornalista, editor-assistente de IstoÉ: “Paulo Francis – porque, pelo menos, nunca pediu a minha cabeça, como fez o outro. Além disso, Francis se tornou um dos maiores entertainers do nosso show business”.

WASHINGTON OLIVETTO, publicitário: “Que país mais chato este, em que os inteligentes brigam e os burros andam de mãos dadas!”.

CLODOVIL, costureiro: “Eu, hein? Nesse angu, eu não me meto!”.

JOSÉ GUILHERME MERQUIOR, diplomata, ensaísta e acadêmico: “Não gosto da expressão ‘fazer a cabeça’. Acho-a alienada. Quem faz as minhas idéias, com muita dificuldade, sou eu mesmo. Não tenho nada a considerar sobre esses dois personagens”.

JOSÉ MIGUEL WISNIK, professor de literatura: “Cada um de nós faz a sua própria cabeça, mas as sete faces do Caetano ressoam mais em mim do que a cabeça de papel do Paulo Francis”.

MILLÔR FERNANDES, pensador e humorista: “Olhem, não me meto em briga de baianos”.

ZIRALDO, teatrólogo e humorista: “Sou Caetano. Mas não assumo”.

A verdade é que a arte de Caetano Veloso sempre andou de mãos dadas com questões menores que o talento dele deveria ter levado em consideração antes de se expor tanto:

“A resposta de Claudio Tognolli a Caetano Veloso, publicada hoje à tarde incendiou o debate na globosfera brasileira. Tognolli cunhou a expressão “máfia do dendê”, segundo ele numa entrevista a revista “Caros Amigos”. Segundo Caetano, Tognolli tem pouco talento e escreveu o livro de Lobão, que seria uma espécie de analfabeto. Tognolli acusa Caetano e Gil de terem mandado patrões da mídia brasileira demitirem jornalistas. É inacreditável!”

A resposta do parceiro de Raul Seixas, o baiano Marcelo Nova, ao site Terra não deixa dúvidas quanto a isso: Terra Música – Você não costuma ser covarde em suas declarações, então vou aproveitar. Você, que é baiano, já ouviu falar na expressão “Máfia do Dendê”? (designação dada pelo jornalista Cláudio Tognolli para uma suposta união de artistas baianos que dominariam a imprensa com favores e retaliações no intuito de manter uma hegemonia na mídia da música produzida na região).

Marcelo Nova – Várias vezes. Ela existe, evidentemente. É que a palavra “máfia do dendê” é uma maneira de tornar a coisa mais “engraçadinha”, quando ela não tem nada de engraçadinha. É a força do poder econômico, de todos esses blocos emergentes da Bahia nesses últimos 10 anos, que se uniram, fortaleceram e tentaram implantar um regime ditatorial musical. É o poder econômico, não tem nada a ver com qualidade. É o poder da grana. Por exemplo, para mim é muito mais fácil tocar em Xanxerê, em Santa Catarina, uma cidadezinha pequenininha, do que tocar em Salvador que é a terra em que nasci. Isso me envaidece, pois significa que meu discurso continua incomodando. Se fosse indiferente, eu estaria lá, indo e vindo facilmente. O fato de não ser aceito e existir uma corrente que tenta impedir minha presença em Salvador de uma forma acentuada, do ponto de vista artístico, é um elogio tremendo. Não quero ser aceito por coisa nenhuma, por esse lance de clube dos baianos, não me interessa isso. É um domínio da coisa obtusa regional. A idéia é “vamos dar as mãos para que não surja nada que nos impeça de continuar sendo os donos da bola”. Eu não odeio o axé, apenas o desprezo.

A última e desnecessária polêmica de Caetano foi com o blogueiro de aluguel da revista Veja, o chatíssimo Reinaldo Azevedo. Mas veja bem, Caetano estava ali a defender uma imoralidade: o acesso da sua irmã Bethânia a mais de R$ 1.300.000 do Ministério da Cultura para criar um blog de poesia. Há mais coisa: segundo o jornalista Janer Cristaldo, em 2007, o mesmo Ministério da Cultura autorizou os produtores do músico baiano Caetano Veloso a usar os benefícios fiscais da Lei Rouanet para bancar os shows de divulgação de seu último CD, “Zii e Zie”. Disse ele: “Caetano transferiu do meu, do seu, do nosso bolso, nada menos que R$ 1,7 milhão, através do programa Bolsa-Gigolôs das Artes, também conhecido como Lei Rouanet”.

Marrapaz, você que cantou certa vez esta jóia: “Me amarro a dinheiro não/ À pele escura/ Dinheiro não/ À carne dura…”???!!! Caetano deveria saber que esse tipo de coisa não dá pé. O que dá pé mesmo é um bom samba como “Pé do Meu Samba”! Ou então ele cantando a música do seu povo como faz brilhantemente aqui nestevídeo.

Ontem como hoje, Caetano Veloso é beleza pura!

Fonte: overmundo
Facebook: Teatro Caetanno’s Agenda Cultural
Twitter: Teatro Caetanno’s
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Publicado por em 07/08/2012 em Uncategorized

 

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