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Alberto Cavalcanti (1897-1982)

08 jul

08-07-2013 – Fátima de Carvalho

 

Agência O Globo

CUL_CIN_Alberto_Cavalcanti                                                                                                                                Alberto Cavalcanti (1897-1982)

 

A trajetória de Alberto Cavalcanti se entrelaça com a própria história do cinema. Artista e artesão apaixonado, fez de tudo: foi cenógrafo, engenheiro de som, roteirista, montador, diretor e produtor, acompanhando as grandes rupturas representadas pela passagem do filme mudo ao sonoro e do filme em preto e branco ao colorido. Grande experimentador, utilizou sem preconceitos quase todas as tecnologias fílmicas. Trabalhou ainda na televisão e no teatro e deu aulas na Universidade da Califórnia.

Carioca de família pernambucana, nascido em 1897, Alberto Cavalcanti iniciou sua carreira em Paris, onde se especializou em cenografia, depois de estudar Belas Artes e Arquitetura na Suíça. Após trabalhar com Marcel L’Herbier e Louis Delluc, dirigiu seu primeiro filme em 1926, ao qual se seguiram dezenas de curtas-metragens. Participou dos movimentos de vanguarda franceses nos anos 20.

Com o advento do cinema falado foi contratado pela Paramount e realizou versões sonoras, em francês e português, de 21 filmes produzidos em Hollywood. Suas teorias inovadoras sobre a função de ruídos e palavras na narrativa cinematográfica atraíram a atenção de produtores ingleses.

Cavalcanti mudou-se para Londres em 1934, onde ajudou a desenvolver o documentário moderno. Durante a guerra, especializou-se em longas de ficção, incluindo um clássico do horror, Na Solidão da Noite, e uma adaptação do romance Nicholas Nickleby, de Charles Dickens. Voltou ao Brasil no final dos anos 40, após ter trabalhado em 10 países europeus durante 36 anos.

Participou da criação da Vera Cruz, em São Paulo, fundamental para que o cinema nacional desse um salto de qualidade técnica. Depois de supervisionar a produção de dezenas de longas, como Caiçara e Terra é Sempre Terra, ficou descontente por não poder falar como gostaria de temáticas brasileiras. Deixou a empresa em fins de 1951 para montar seu próprio estúdio, a Kino Filmes. Dirigiu seu primeiro filme brasileiro em 1952, Simão, o Caolho, ao qual se seguiram O Canto do Mar (1953), mistura de documentário e ficção que retratava a miséria em que vivia parte da população de Pernambuco, e Mulher de Verdade (1954).

Em 1952, escreveu o livro Filme e Realidade. Criticado por sua ideologia de esquerda e inconformado com o marasmo da vida cultural brasileira, voltou à Europa onde dirigiu O Senhor Puntilla e Seu Criado Matti, adaptação da peça de Brecht. Alberto Cavalcanti tinha orgulho de só haver produzido filmes de cunho social. Trabalhou ainda na Itália e na Áustria, concluindo sua carreira na televisão francesa, nos anos 70. Morreu em Paris, em 1982.

Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)

 

Fonte: Brasil
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Publicado por em 08/07/2013 em Uncategorized

 

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