RSS

Humberto Mauro (1897-1983)

19 jul

19-07-2013 – Fátima de Carvalho

                  Acervo Particular

CULT_CIN_Humberto_Mauro                 Humberto Mauro (1897-1983)

“O cinema nada mais é do que cachoeira: deve ter dinamismo, beleza, continuidade eterna”, afirmou Humberto Mauro em uma entrevista pouco antes de morrer. Mineiro de Volta Grande, nasceu em 1897 e passou a juventude em Cataguases, onde estudou mecânica e foi radioamador antes de se iniciar na carreira artística, primeiro como ator teatral, depois dirigindo o curta-metragem Valadião, o Cratera (1925), rodado com uma câmera Pathé-baby de 9,5 mm.

Em sociedade com um imigrante italiano, Pedro Comello, Mauro criou a Febo Filmes, que inaugura o ciclo vanguardista de Cataguases. Influenciado pelos diretores americanos David W. Griffith e Henry King, Mauro praticamente inventou o cinema lírico brasileiro.

Seus primeiros longas-metragens – Na Primavera da Vida (1926), Tesouro Perdido (1927) e Brasa Dormida (1928) – são pastorais repletas de vales, riachos e cachoeiras, elementos também presentes nos mais de 300 documentários educativos e culturais que faria, entre 1936 e 1964, para o Instituto Nacional de Cinema Educativo, do Ministério da Educação e Cultura, criado por Edgar Roquette-Pinto, a pedido de Gustavo Capanema.

Mauro também dirigiu a série, As Brasilianas, que registrou aspectos do nosso folclore. Atraído no começo dos anos 30 para o Rio de Janeiro por Adhemar Gonzaga, produtor da Cinédia, Mauro dirigiu Lábios Sem Beijos (1930) e sua obra-prima, Ganga Bruta (1932), em que afloram todas as tensões do conflito entre cidade e campo, mimetismo e autenticidade, tradição e modernidade. Dirigiu também A Voz do Carnaval, que trazia inúmeros cantores, incluindo Carmem Miranda interpretando marchinhas de carnaval. Esse semi-documentário pioneiro mistura uma história fictícia de um Rei Momo que foge do trono, com cenas reais. Mauro usou o mesmo recurso em, Favela dos Meus Amores, um dos primeiros filmes a registrar imagens de uma favela carioca.

De sua ligação com a atriz e produtora Carmen Santos resultaram os filmes Cidade-Mulher (1936) e Argila (1940). Em 1937, Mauro reconstituiu, com orçamento modesto, a chegada de Pedro Álvares Cabral, em O Descobrimento do Brasil, com música de Heitor Villa-Lobos. Realizado na época do Estado Novo varguista, o projeto tinha originalmente um claro objetivo nacionalista. Assumindo a direção, Mauro modificou o roteiro para deixar claro que o descobrimento não foi casual. Seu último longa, O Canto da Saudade, rodado em 1950, em sua cidade natal, foi uma retomada do cinema pastoral dos anos 20.

Mauro só se despediria do cinema em 1974, quando dirigiu o documentário Carro de bois. Morreu em 1983 e figura entre os diretores mais importantes da história do cinema nacional.

Fonte:
Livro 100 Brasileiros (2004)

Fonte: Brasil
Facebook: Teatro Caetanno’s Agenda Cultural
Twitter: Teatro Caetanno’s
Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em 19/07/2013 em Uncategorized

 

Tags:

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: